terça-feira, 30 de junho de 2009

O bêbado e o ônibus

Estava voltando de Friburgo sábado a noite, levemente enjoada da viagem e e sem poder mascar chiclete (o que me deixaria menos "mareada"), eis que entra um rapaz falando enrolado e cabaleando.

Pensamento 1: "Deus, não deixe que ele sente do meu lado, por favor!". Obviamente meu pensamento atraiu e, mesmo tendo 90% do ônbus vazio, ele sentou grudado em mim.

Pensamento 2: "Tomara que ele esteja assim por ter usado droga, tomara que não seja bebida, pois se ele vomitar eu morro". Ai ele dormiu.

Pensamento 3: "Graças a deus, dormindo a gente não vomita". Logo a seguir ele virou o bocão aberto para o meu lado, me fazendo descobrir que ERA cachaça.

Pensamento 4: "Deus, por favor, faça com que ele não vomite". Minhas preces foram atendidas, mas o cara começou a roncar alto, quase no meu cangote.

Pensamento 5: "Melhor ronco do que vômito". Ai o cara começou a falar um monte de coisas. Eu fiquei tensa pois não dava para saber se ele estava dormindo ou falando comigo. Virei para o canto.

Meia hora depois ele me cutucou e disse (acordado): "É Bonsusesso?". Eu: "- Não, Vieira". Pensamento paralelo "volta a dormir, por favor, pois agora as curvas começam!". Ele não vomitou e dormiu o resto do caminho, baforando em mim.

Mas o triste foi que no domingo, quando eu estava indo para Friburgo novamente o MESMO cara estava no ônibus! Ainda virado do dia anterior! Dormindo. Quando chegamos no Campo do Coelho (o distrito que ele havia entrado no dia anterior) o motorista parou o ônibus, levantou, foi até o passageiro bêbado e o balançou MUITO, chamando-o para descer.

O cara não levantou, de tão chapado que estava. Quando eu desci ele ainda estava semi-morto, todo torto, no banco.

4 comentários:

Laura Schwartz disse...

Vim dos EUA uma vez com um cubano dormindo no meu lado, com a cabeça caindo pro meu lado, boca aberta apoiada no meu ombro. De Miami ao Rio. Sem conseguir fazer o tipo ir pro outro lado. >.<

Diana Bitten disse...

Nossa cara.. essa ai foi péssima!

De MIAMI AO RIO? Friburgo-Terê é pertinho...

Mas aqui (HUAHAUHAUHAUHAUHA) eu estava tão desesperada e até mesmo com medo que nem passou pela minha cabeça sair. Pensei em como me defender se ele viesse para cima, chutar, fugir se ele vomitasse, mas NUNCA em mudar de lugar.

Tapada.

Lancaster disse...

Quando eu era adolescente, por motivos que não vem ao caso, o cinto apertou e tive que passar a andar de trem, numa época em que ele era bem mais barato do que o ônibus. Eu morava em Realengo e estudava no Centro da Cidade, e para dar idéia a quem não for do Rio de Janeiro: era distância, e muita. Eu tinha que acordar as 4:30 da manhã e voltava para casa pregado, pelas três da tarde ou mais.
No segundo dia em que andei de trem, um bêbado começou a olhar pra mim. Ele era imundo. E de repente, ele se jogou em cima de mim e me usou como trampolim para se jogar para fora do trem. Ou seja, eu era um elemento logístico porque ele mal conseguia caminhar.
Aquilo me apavorou. É difícil explicar o que é viver de forma protegida e ter que encarar o mundo real. Mas, enfim, é parte da vida. :(

Diana Bitten disse...

Todo mundo tem um perrengue de ônibus, trem e afins com bêbado para contar? rsrs

Minha mãe ao ler sua mensagem acabou de me contar uma ocorrida com ela medonha!