sábado, 14 de novembro de 2009

Razão e Sensibilidade

Eu era provavelmente a única mulher no universo que gosta de Jane Austin e que não tinha assistido ao filme Razão e Sensibilidade. Só que não tinha assistido justamente por não querer vê-lo antes de ler o livro, e como outros livros foram surgindo... bom, agora eu comprei, li, e vi, tudo numa tacada só!

Leitura muito gostosa (nem preciso fazer o resumo pois é o que mais tem na net), mas eu ainda prefiro o Orgulho e Preconceito. O cenário é o mesmo, aliás o forte de J. Austin é a sociedade rural inglesa do século XIX, seu cotidiano e suas hipocrisias, com muitos detalhes e ironias.

Em sua leitura senti que pode ser considerado o precursor de Orgulho e Preconceito, já que basicamente a idéia é a mesma, os personagens "se repetem", porém de uma forma menos intensa e cativante. A personalidade das personagens foi o principal ponto que fez com que eu gostasse mais de O&P, já que neste os temperamentos e idéias são muito mais explorados do que em R&S. Conversando com amigos, eu fui fazendo um paralelo entre os personagens dos dois livros, coisa muito óbvia para quem quiser ver, e nessa comparação o carisma de Lizzie, Darcy e Mr. Bennet ganha disparado. Sem falar da intensidade dos relacionamentos, claro.

Mas não estou aqui para "falar mal", e sim para dizer que vale a pena sim lê-lo, que o traço de J. Austin, com sua percepção sobre as emoções humanas é inconfundível e maravilhosa! Cara, e o que arrebenta é que um livro muito bacana custa muito barato!!!
Em relação ao filme, eu achei que o clima apresentado é bem diferente, há menos falsidades e hipocrisias, a pobreza é mais visível e as personagens foram bem alteradas (inclusive suas idades). Posso rapidamente destacar que a mãe delas é menos simpática e amorosa; o Edward é MUITO mais carismático e tem muito mais ênfase do que no livro (acho que foi para mostrar o "bonitão" H. Grant); Cel. Brandon é menos introspectivo e sisudo; e a Marianne consegue ser mais mimada, mais avoada e mais idiotinha do que no livro que, ao meu ver, a apresenta apenas como uma menina ingênua, romântica e que não esconde suas emoções.

Ainda falando sobre o Edward (que no livro é bem insosso), a alteração foi tanta que foi dada mais ênfase à relação entre ele e Elinor, ao contrário do livro, onde o foco é na(s) relação(ões) de Marianne. Inclusive a intensidade do sentimento de Marianne foi menosprezada.

Os pontos altos foram os personagens Sr. John e a Sra. Jennings, além da interpretação de Emma Thompson (que inclusive roteirizou), claro.

Olha, recomendo os dois, mas apenas para mulheres.

Um comentário:

Laura Schwartz disse...

Eu tenho que rever o filme e tenho que ler o livro, como acabei de meter em DOIS desafios de leitura, vai ficar na espera mais um tempo. Esse é um livro que quero ter em mãos e apreciá-lo na cama, não em e-book.